Alta nas passagens reforça crítica de Saullo Vianna às companhias aéreas beneficiadas por incentivos fiscais no Amazonas

  

Dados da Anac mostram alta de 11,2% na tarifa média dos voos domésticos; deputado afirma que passageiros pagam caro por um serviço cada vez mais reduzido

A divulgação dos dados mais recentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que apontam aumento de 11,2% no preço médio das passagens aéreas domésticas, com tarifa média de R$ 632,53 no Brasil, reforça um alerta feito pelo deputado federal Saullo Vianna (MDB-AM) sobre a realidade enfrentada pelos passageiros no Amazonas.

O parlamentar afirmou que os números divulgados pela Anac refletem um problema ainda mais grave no estado, onde o transporte aéreo é essencial para garantir o deslocamento da população entre os municípios e o acesso à saúde, à educação, ao trabalho e a outros serviços públicos.

Enquanto a média nacional é de R$ 632,53 em todo o Brasil, no Amazonas os valores são muito superiores. Em períodos de maior demanda, uma passagem entre Manaus e Brasília pode chegar a R$ 7 mil. Durante o Festival de Parintins, foram registradas tarifas superiores a R$ 4,7 mil por trecho entre Manaus e Parintins. Em rotas regionais, como Manaus–São Gabriel da Cachoeira, também são frequentes passagens com valores acima de R$ 2 mil.

Além dos preços elevados, Saullo criticou a qualidade dos serviços prestados pelas companhias aéreas que operam no estado.

"As companhias aéreas que operam no Amazonas prestam um desserviço à população. Recebem incentivos fiscais do Estado, por meio da redução do ICMS sobre o querosene de aviação, justamente porque o transporte aéreo é essencial para quem vive aqui. O mínimo que a população espera é um serviço compatível com essa realidade. No entanto, o que encontramos são tarifas abusivas, cancelamentos frequentes, atrasos constantes e um atendimento cada vez mais precário."

O deputado também criticou a cobrança por serviços adicionais, que acabam elevando ainda mais o custo das viagens para os passageiros.

"Hoje, o cidadão compra uma passagem e ainda precisa pagar para marcar o assento, como se fosse possível viajar em pé. Tentaram, inclusive, ampliar as cobranças sobre os passageiros com propostas para permitir a cobrança pela bagagem de mão. Felizmente, essa iniciativa não prosperou. Enquanto isso, o serviço oferecido é cada vez mais reduzido. Em muitos voos, limita-se a um copo d'água, um refrigerante e uma bala, mesmo com tarifas que chegam a milhares de reais."

Saullo ressaltou que fatores como o preço do combustível de aviação, a variação cambial e o cenário econômico internacional influenciam diretamente o valor das passagens. No entanto, defendeu que essas circunstâncias não podem servir de justificativa para ignorar a realidade do Amazonas.

O parlamentar lembrou que já levou essa preocupação à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mas avalia que as medidas adotadas até o momento foram insuficientes para enfrentar a situação vivida pelos amazonenses.

Para Saullo Vianna, os dados divulgados pela Anac evidenciam a necessidade de que o Amazonas seja tratado de forma diferenciada nas políticas voltadas ao transporte aéreo. Em um estado onde o avião é, muitas vezes, o único meio de deslocamento entre municípios, o custo das passagens e a qualidade dos serviços impactam diretamente o direito de ir e vir da população, o acesso a serviços essenciais e o desenvolvimento regional.

 

Com informações da assessoria de imprensa


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